Cancro, significado emocional, experiencial e espiritual.
- Maria Peixoto

- 16 de jun.
- 3 min de leitura
Depois do diagnóstico, ficamos confusos e assoberbados.
Mais cedo para uns e mais tarde para outros, surgem perguntas como: “Porquê isto?”, “Porquê a mim?”, “Porquê agora?”.
É profundamente humano tentar compreender aquilo que de tão disruptivo nos está a acontecer, porque o sentido que fazíamos do mundo deixa de encaixar na nossa nova realidade.
Em algum momento, em algum lugar do nosso corpo, as células cancerígenas começaram a multiplicar-se e a organizar-se para além da capacidade do sistema imunitário de as conter e eliminar.
Temos cancro.
Uma doença grave, ameaçadora da vida, que acontece num corpo biológico e genético. Mas este corpo não é estanque. Está ligado a uma mente, a um sistema emocional, é atravessado por vivências passadas e presentes, pelo contexto em que vivemos e, acredito, integrado numa inteligência maior da vida.
A doença acontece numa pessoa inteira.
O cancro é multidimensional, tanto quanto nós o somos e compreendê-lo não se pode reduzir ao aspeto médico.
Na maioria das vezes estas perguntas não expressam apenas a procura de uma causa, mas sim uma necessidade mais profunda de compreensão, significado e orientação perante algo que quebra a continuidade da vida tal como a conhecíamos.
Sentimos que precisamos compreender o cancro para além dos dados clínicos, abrangendo o seu significado emocional, existencial e espiritual. Que precisamos encontrar um sentido que faça sentido na nossa história de vida, no nosso sentir.
Não há respostas prontas, mas temos meios de explorar, de aprofundar, de ir montando o puzzle. Confiando no nosso sentir, seguindo a nossa experiência, sem delegar o nosso discernimento.
O corpo tem inteligência. Ele sabe criar uma vida, fechar uma ferida, ajustar-se ao ambiente… E é parte de um sistema vivo onde biologia, emoções, relações, história de vida e dimensão espiritual se influenciam mutuamente.
Por isso, quando surge a doença, ela não é apenas um acontecimento biológico, mas também uma manifestação que pode conter informação importante sobre a pessoa, a sua história e contexto, a forma como vive e aquilo que a vida lhe está a pedir a cada momento.
O sintoma, a doença e o sofrimento podem tornar visível algo que antes permanecia fora da consciência e abrir espaço para uma relação mais consciente com a própria vida.
E a partir desse lugar de maior compreensão e autoconsciência, recuperamos a nossa auto determinação. Não porque controlamos a doença ou a forma como evolui, mas porque muda a forma como nos relacionamos com ela e, sobretudo, muda a forma como nos relacionamos com a nossa vida depois da doença.
E a partir desse lugar de maior compreensão e autoconsciência, lidamos melhor com o que é. Podemos adotar uma atitude ativa, uma direção alinhada com quem somos e com o que nos importa, e encaixar esta experiência difícil na nossa história de vida e num sentido maior.
Nem todas as pessoas sentem necessidade de explorar a doença desta forma. Nem todas procuram aprofundar ou dar sentido. E está tudo certo.
Mas para quem sente que a doença desencadeou uma crise de identidade, de sentido, de espiritualidade ou de relação com a vida, existe um caminho possível.
No Intelier acompanho pessoas que desejam explorar o significado emocional, existencial e espiritual da experiência do cancro, compreendendo de que forma a doença se relaciona com a sua história de vida, identidade, emoções, espiritualidade e sentido.
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